Uma no cravo, outra da ferradura!!!

 Disto sei eu

Eram 12h59 quando, um dos selecionadores estatisticamente mais bem-sucedidos da história do futebol português, Roberto Martínez, irrompeu pela sala e tomou o seu lugar na conferência de imprensa que anunciaria os 27 nomes escolhidos para rumar ao Campeonato do Mundo 2026, cujo início está agendado para daqui a 22 dias nos Estados Unidos, Canadá e México.

Antes de se fazer ouvir um pio do seu elegante português, antes mesmo que lhe pudéssemos ver o branco dos olhos ou ouvir uma escolha, fundamentação ou justificação alguma, já mais de metade da Nação estava algo ou profundamente desiludida com aquilo que ainda não ouvira.

É sabido que todos somos providos, em partes iguais, de uma alma e de um selecionador interior. Não há nisto novidade alguma. São também conhecidos os fenómenos de clubite aguda, pelos quais a única convocatória lúcida é aquela que leve todos os elegíveis dos nossos clubes.

Os fenómenos em torno das convocatórias da seleção são bem conhecidos da academia e não se esgotam aqui. Ninguém ignora a magna e fraturante cisma entre os apóstolos do Ronaldo-Eterno e os seus empenhados e cegos detratores; a ascensão dos honestos e competentes Paulinho e Horta a mártires da pátria; e em franjas mais radicais talvez se encontre mesmo quem defenda a naturalização de Hjulmand, Froholdt e Aursnes, que apesar de serem internacionais por outros países, são nórdicos, brancos e louros, pelo que quiçá pudessem excecionalmente integrar a lista.

Numa sátira feliz, o humorista gráfico "Insónias em Carvão" convocou a padeira de Aljubarrota, o cantor Toy, o apresentador João Baião e gaiato do '6 7'. Não seriam as minhas escolhas, mas entendo-lhe a ideia.

Um pouco mais a sério, “todos têm o direito de exprimir e divulgar livremente o seu pensamento” e qualquer um de nós é provido de juízo crítico e gosto pessoal. Ainda assim, num clima social de permanente exaltação emocional, é importante escrever o óbvio ululante: a convocatória de Roberto Martínez é, globalmente, equilibrada e coerente.

António Silva, Pedro Gonçalves, Ricardo Horta, Rodrigo Mora, Quenda, Mateus Fernandes e João Palhinha terão recebido, esta manhã, uma chamada de cortesia do selecionador nacional. No caso do trinco do Bayern Munique, para lá de vocábulos bonitos, é de imaginar que a conversa sobre a sua ausência não tenha envolvido boas razões, pelo simples facto de que elas não existem.

Escrito isto, é tempo de acreditar. Vai dar Portugal ou pelo menos é com isso que de 11 de junho em diante podemos sonhar.

André Pinotes Batista (Record)


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