A imagem pacata na hora da apresentação como jogador do Sporting e a tenra idade podem muito bem enganar quem não conhece Silas Andersen. O novo viking de Alvalade traz a veia competitiva do compatriota Hjulmand e, aos 22 anos, já era um dos líderes do balneário do Häcken. Aliás, o momento em que, aos 20 anos, assumiu o quinto e decisivo penálti para dar a Taça da Suécia ao seu anterior clube é demonstrativo da sua frieza. "Eu escolhi-o para bater e perguntei-lhe 'Estás pronto para nos ganhar a Taça?' e ele respondeu: 'Sim, estou prontíssimo'", recorda Vítor Gazimba, treinador adjunto do Hacken, que foi uma espécie de conselheiro do jogador na transferência para o Sporting. E, conta-nos o português, o momento da escolha de clube foi mais um exemplo da maturidade do jovem.
"O interesse do Sporting já vem de há muito tempo. Falámos sobre essa possibilidade. Ele sempre se mostrou entusiasmado com o Sporting. Perguntava-me 'O que achas, Vítor?' Queria saber tudo, sobretudo olhando à forma como podia encaixar na equipa", salientou. E, perante o que ia sabendo, Silas Andersen acabou a escolher os leões em detrimento de outros clubes com peso. "O Sporting teve de competir com grandes clubes da Europa", garantiu Gazimba, que confirma, esse ADN à Hjulmand, no que toca à liderança e à atitude em campo.
"Tem o traço de dinamarquês. Vai apanhar alguns amarelos", admite, virando o foco para o lado positivo. "Tem o espírito competitivo bastante afinado. É confiante o suficiente para assumir um estádio de um adversário contra ele. Gosta de assumir o jogo. Tem uma personalidade de líder. Quando eles não quiserem a bola, ele vai querê-la", sublinha.
De facto, Silas Andersen foi um jogador punido com frequência na Suécia: em 57 jogos, viu 24 cartões amarelos, se ainda incluirmos os dois duplos amarelos que resultaram em expulsões. Ou seja, é admoestado, em média, uma vez a cada dois jogos e meio. No entanto, esse é apenas um aspeto no meio de várias virtudes do jogador, de acordo com quem o treinou durante duas temporadas, sendo que as diferenças para Hjulmand encontram-se, sobretudo, na forma como Silas procura ter liberdade.
"O Hjulmand é mais posicional. Ele até se via via como um box to box, porque tem um pulmão muito grande. Ele consegue chegar muito bem à área, entra com contundência para poder marcar. É um jogador alto, possante, muito bom em duelos aéreos, bola parada e ofensiva. Entra na área com facilidade", refere, lembrando que Silas até a central chegou a jogar. "Tivemos alguns jogadores lesionados e ele dava-nos saída a partir de trás", analisou, referindo que a forma como Silas Andersen cresceu e até o processo de transferência para os leões são traços que exibem a parte comunicativa do jogador. "Gosta de falar sobre o jogo, é muito aberto a feedback, pormenores que o possam ajudar a fazer melhor. Tem a confiança nele próprio", destacou.
Amante de música portuguesa
Agora, faltará perceber de que forma Silas Andersen vai integrar-se nos leões. Neste capítulo, Vítor Gazimba acredita que o jogador terá facilidade em criar boas relações no grupo ao fim dos primeiros dias. "Era um dos mais novos, liga-se facilmente ao balneário. Faz rapidamente amizade. Dá-se a conhecer. É acolhedor, extrovertido. Acredito que a adaptação será fácil. Aliás, ele é um admirador do futebol português", confessou.
E como se pode integrar? Talvez até mostrar o seu conhecimento da cultura portuguesa. "Ele era um dos jogadores que controlava o som ambiente no balneário Punha música portuguesa e brasileira. Ele gostava muito", sublinhou.
Por Rafael Soares do jornal Record

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