O futebol recompensa quem se entrega à luta

Um sportinguista, qualquer sportinguista, ficou profundamente envergonhado com a nossa derrota frente ao Torreense. Não acrescento indignado porque do outro lado estava uma equipa digna que se bateu pela vitória. Não sei se os jogadores leoninos consideraram que eram favas contadas, se desvalorizaram os alertas do treinador, mas sempre receei estas finais com equipas teoricamente mais fracas. Fazem das tripas coração e batem-se por alcançar a glória.

O que nós não fizemos. Não dando o máximo, os nossos jogadores tornaram-se vulgares. O Torreense foi um justo vencedor. Honra aos vencedores. Agora, a equipa técnica do Sporting está confrontada com uma situação limite. “Limito-me a dizer objectivamente o que penso. Chegámos ao extremo-limite do perigo”, escreveu Mário Cesariny. É esta a reflexão que domina o meu pensamento, mas vale-me ter uma noção dinâmica da vida, e do futebol em particular.

Por vezes esquecemo-nos, mas na verdade tudo se transforma. Transforma-se o mundo em nós e fora de nós. No futebol essa mudança ainda é mais rápida, até mais imprevisível, e o que foi possível, ainda que num momento tenha sido derrotado, voltará a ser possível, de outra forma, outra vez. O futebol recompensa quem se entrega à luta. Não é uma ciência exacta, mas existem coisas exactas no futebol. Rui Borges não tem dúvidas sobre isso, sabe-o por experiência própria.

Nota - O Sporting conquistou a Taça dos Clubes Campeões Europeus de atletismo. No Jamor houve uma derrota dolorosa, em Castellón, Espanha, um título saboroso. É importante não esquecer as vitórias, tal como as derrotas.

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