À Benfica, não. // APB
À Benfica, não.❌
O Sporting perdeu a final da Taça contra o Torreense e, perante uma hecatombe desta magnitude, ninguém tem desculpas. Parabéns aos homens da segunda divisão que quiseram mais e conseguiram mais.
O que sobra é bicudo e dado a todo o tipo de bicadas: emocionais, justas, necessárias, maquiavélicas e até maldosas. E o assunto não é para menos.
Se a arte de exigir cabeças tem sempre enorme aceitação popular - e, neste momento, pedir a de Rui Borges é mais popular que uma tourada em Sevilha -, à gestão exige-se frieza. Perder uma Taça neste contexto, pela primeira vez em quase um século de prova, abriu uma ferida na memória do clube. Ainda assim, o futuro não pode ser decidido por plebiscito emocional.
À Benfica, não.❌
Escrevo-o, não por rivalidade pequena, mas por aviso maior. Elevaram Schmidt a herói, fizeram-lhe plantel e, logo após o fecho do mercado, despediram-no e indeminizaram-no. Chamaram Lage, que já havia sido bestial e besta: disputou o título até ao fim, preparou nova época e caiu no início desta. Por fim, entre juras de amor, aura messiânica e inteligente gestão das massas, chegou Mourinho.
Eis o Benfica que não queremos no Sporting: plantéis feitos para uma ideia e sacrificados nos braços de outra, soprada da tribuna dos estados de alma.
A continuidade de Borges deve estar em cima da mesa. É indispensável clarificar, antes de agosto, se o Presidente e a estrutura nele confiam para a reconstrução que aí vem.
Numa época de montanha-russa, sob a batuta do timoneiro de Mirandela, o Sporting realizou a melhor campanha da sua história na Liga dos Campeões: apurou-se diretamente para os oitavos, protagonizou reviravoltas épicas e caiu nos quartos diante do Arsenal sem se diminuir. Ao mesmo tempo, sofreu a derrota doméstica mais negra da sua história.
Entre tocar o teto europeu e bater no fundo simbólico do Jamor, esvaiu-se o epíteto de melhor futebol praticado em Portugal por uma das equipas ofensivamente mais produtivas do mundo.
No mesmo dia em que saímos do Jamor destroçados, garantimos acesso direto à Liga dos Campeões e quase 50 milhões de euros. Somámos seis jogos ao calendário europeu do Benfica, fizemos cair o Sp. Braga para a Liga Conferência e empurrámos o Famalicão para fora do comboio. O alívio nas contas não atenua a vergonha em campo.
A pergunta é se Frederico Varandas confia verdadeiramente no seu treinador. O mais lógico é manter o treinador com quem se renovou, todavia, aceitar-se-à qualquer decisão do Presidente, desde que seja tão leal, convicta e inteira quanto o futebol permite.
À Benfica, não! ❌
André Pinotes Batista

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